Boa noite!
Então depois de concluir os cursos,exceto o de espanhol,pois houve um problema e o curso fechou antes, eu passei a procurar emprego desesperadamente,eu já procurava ao longo dos cursos,mas essa busca se intensificou com o término das aulas, até pela questão do horário...não vou mentir, a questão do horário não era o que me impedia de trabalhar,o que me impedia era o fato de eu não conseguir emprego mesmo, e nem preciso cair na repetição e explicar como é difícil obeso conseguir emprego.
Enfim, eu fiquei um período sem trabalhar,de novo, me virando como podia. Eu fazia bolsas e vendia nos cursos...
Quando eu fui demitida, peguei boa parte da minha rescisão e paguei o curso de auxiliar administrativo,fora os gastos com passagem etc.
Foi uma fase de apertos, minha sorte é que eu estiquei bastante o dinheiro do meu auxílio desemprego e que depois que ele acabou,eu pude contar com a ajuda do meu pai.
Então, essa fase foi bem complicada,estava cansada de procurar emprego e receber sempre um não, decidi parar de procurar emprego e tentar relaxar.
Minha cabeça estava a mil por hora,o dinheiro acabando, mas eu precisava me calmar...
continua em breve...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
limitações da fase adulta
Boa tarde!
Em 2005 terminei o ensino médio e comecei a fazer trabalho voluntário em um projeto social. Em 2006, estava com 18 anos ,e os envolvidos no projeto social em que eu era voluntária, decidiram iniciar uma OSCIP, e eu aceitei. Foi um momento muito bom, eu aprendi muita coisa, mas teria sido muito melhor se eu não tivesse tantas limitações.
Eu não andava de ônibus, então só poderia ir a lugares em que eu pudesse ir de metrô ou van. Tinha preocupação enorme em chegar no lugar, e as cadeiras serem pequenas e eu não caber.
Só quem passa por isso sabe da dimensão dessa angústia. Sabe o que é ter um compromisso e ficar horas no ponto de ônibus esperando uma van passar. Ter que sair bem antes de casa,pois sabe que ficará muito tempo esperando pela van...e pior,com vários ônibus que você poderia pegar,passando toda hora.
O medo da humilhação me assombra...a ideia das pessoas rindo, da roleta travando e de não conseguir passar,nem voltar...
Eu encontrei na internet o caso de uma senhora que teve que ir até o terminal do ônibus, entalada na catraca,tiveram que serrar a roleta, pois não tinha outra forma de tirá-la de lá, e para completar, os funcionários da empresa não lhe deram o tratamento adequado, debocharam e lhe fizeram grosserias.
Em 2007 comecei a procurar emprego,como o meu ensino médio não foi técnico, fiz formação geral, então eu não tinha profissão.
Fiz algumas entrevistas,mas sabe como é né, obesa...é complicado,ainda existe muito preconceito. Nas entrevistas eu sentia o olhar discriminador. E na hora de escolher roupa para os processos seletivos? Era uma batalha.
Meu primeiro emprego foi como operadora de telemarketing. Eu trabalhava no centro da cidade, na Presidente Vargas, graças a Deus eu podia ir de metrô. 1º dia de trabalho e dei de cara com aquelas cadeiras apertadas. Eu tenho muito quadril, eu sentia até dor após ficar horas sentada esmagando meu quadril.
Após nove meses de trabalho, a empresa decidiu que eu poderia ir de ônibus e quem não tinha necessidade de ir de metrô. "Mas pera ai! Eu escolhi esse meio de transporte antes de ser admitida e além disso, eu saía às 21:00,como eu iria andar até a Central para embarcar no 355?". Foi o que eu aleguei, então eles determinaram que eu ia voltar de metrô,mas na ida eu teria que ir de ônibus, eu me estressei,gritei,mas eles só me pagaram o valor da ida de ônibus e volta de metrô, sabe o que eu fiz? Continuei indo e voltando de metrô, lógico, preferia pagar a diferença do meu bolso do que ter que andar de ônibus.
Mas isso durou pouco, pois no mês seguinte eu fui demitida.
Na mesma semana em que eu fui demitida, comecei a fazer 3 cursos, um de auxiliar administrativo, outro de produção cultural e um de espanhol.
Eu tinha passagem no meu cartão de passagem do trabalho. Mas eu não usava,pois esses três cursos eram em Madureira, e não tem como ir de metrô até Madureira. Me restava ônibus ou van, nem preciso dizer como que eu ía né?
Chato era quando algum amigo ia comigo até o ponto de ônibus e não entendia porque eu deixava um monte de ônibus passar e eu não pegava. Que desculpa inventar? Dá-lhe criatividade nessa hora!! Mas eu me sentia muito mal por ter que mentir.
Outro momento delicado era quando tinha aula em uma quadra de escola de samba (no curso de produção cultural,as aulas eram cada dia em um lugar) e as cadeira são aquelas de plástico, que são estreitas e nem sempre aguentam muito peso. Doía muito ficar sentada ali e com medo da cadeira quebrar,doía fisica e emocionalmente. E às vezes o pessoal do curso gostava de sair em algum barzinho, e advinhe só, mais cadeiras de plástico!
Mas o mais complicado era quando tínhamos trabalhos de campo e tinha que ir todo mundo junto,todo mundo junto entrando no ônibus... eu transpirava, tremia, minha cabeça faltava explodir e meu coração saltar!
Que sensação horrível é essa de estar prestes a entrar em um ônibus.
Você deve se perguntar: "por que você não passava pela porta de trás"?
Você faria isso? No meio dos seus amigos,na frente de todos os passageiros do ônibus, você falaria: "motorista, abre a porta de trás porque eu fico entalada na roleta"?
É muito difícil, não estou dramatizando...
continua em breve...
domingo, 14 de agosto de 2011
obesidade e limitações: a descoberta.

Olá! Boa tarde!
Meu nome é "Liberdade" e eu sou super obesa mórbida.
Sim,isso mesmo que você leu!
Tenho 1,77 de altura e peso 175 quilos.
Meu IMC está em torno de 55,86 (super obesidade mórbida).
Tenho 23 anos.
Sou gorda desde que me conheço por gente. Já fiz todos os tipos de dieta.
Fiz uso de medicamentos como anfepramona e sibutramina.
Usei produtos naturais como lecitina de soja, spirulina, chá verde, berinjela com laranja,feijão branco cru triturado e misturado com suco de laranja, que é horrível por sinal!
Frequentei academia durante um tempo,mas não fez muito efeito. Parei de ir no dia em que eu quebrei um aparelho.
Às vezes eu caminho,mas não aguento muito,pois já torci os dois tornozelos e com o peso, eles doem bastante.
Aos quinze anos, estava no ensino médio e estudava na rede pública. Entrava pela frente no ônibus,sem pagar passagem, era só mostrar a carteira da escola. Tudo complicou quando eles criaram o Rio Card,e todos os estudantes teriam que passar pela roleta (catraca),ai começou todo tormento.
Eu percebi que tinha dificuldade para passar,descobri que estava muito acima do peso.
Esse foi só o começo de um turbilhão que ia iniciar...até então eu não tinha noção das limitações,humilhações e decepções que eu teria que enfrentar...
Eu sempre sofrí por ser gorda,se eu dissesse que não, estaria mentindo...tem gente que em cara numa boa?Será? Não,sei...talvez sim,mas eu não.
Sempre tive vergonha de ir à praia,imagine só, mostrar minhas banhas!
Ver as outras meninas com seus corpinhos bonitinhos,tudo proporcional, livres dentro de seus biquinis...
Para que me aventurar em uma situação dessa? Correr o risco de ser chamada de baleia,saco de bosta,entre outras coisas desagradáveis?
Outra coisa era ir ao shopping,as meninas felizes com seus modelitos...e eu? Lógico que não tinha roupa para mim nas lojas do shopping,o jeito era comprar nas lojas de tamanhos especiais ou usar as roupas que minha mãe costurava, só que na minha adolescência, lojas de roupas de tamanho especial era quase impossível de achar,o que me restava era usar as roupas que minha mãe costurava mesmo...marcas da moda?Marcas que todas as meninas usavam?Não!
E o momento paquera? Nas festas,todo mundo era sempre a fim de alguém...eu também era a fim de alguém,mas a pergunta é: alguém era a fim de mim? Preciso mesmo responder?
Bom,isso tudo foi tornando minha vida bem difícil, eu podia não exteriorizar isso,mas por dentro eu sentia dor, havia feridas ainda abertas,como há até hoje...
Essas e outras experiências que ainda vou relatar aqui,me levaram a tomar a decisão mais importante da minha vida...
continua em breve....
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